Crise climática bate à porta e na conta de luz: por que a água se tornou o novo termômetro da inflação no Brasil

Com base energética hidrelétrica, Brasil precisará de estratégia para estabilidade econômica do país

No mês em que comemoramos o Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas e do Dia Mundial da Água (22/03), um alerta urgente une as duas pautas: a gestão estratégica da água no Brasil deixou de ser um tema exclusivamente ambiental para se tornar um fator decisivo na conta de energia, na inflação e na resiliência econômica do país. Em um cenário onde a “gangorra” climática alterna entre secas históricas e chuvas torrenciais, a forte dependência brasileira da energia hidrelétrica revela uma vulnerabilidade que impacta diretamente o bolso dos cidadãos e a competitividade de setores vitais.

“O Brasil apostou na energia hidrelétrica como uma grande vantagem, construindo uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Contudo, o que era nosso maior trunfo hoje expõe nossa maior vulnerabilidade. A previsibilidade do regime de chuvas tornou-se incerta. Estamos vivendo em um ‘novo normal’ climático, e nossa infraestrutura, planejada para um paradigma mais estável, está sendo testada ao limite por extremos”, afirma Heloise Quesada, professora do curso de Engenharia Ambiental da EAD UniCesumar.

Com a diminuição do nível dos reservatórios durante as secas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é forçado a acionar usinas termelétricas. Essa alternativa, além de mais poluente, tem um custo de operação muito superior, pois depende da compra de combustíveis. O resultado é o aumento do custo médio da geração de energia, que é repassado ao consumidor final.

O impacto se estende por toda a cadeia produtiva. Setores como a indústria, o agronegócio e o saneamento básico, que são intensivos no consumo de energia e dependentes diretos da água, sofrem com o aumento dos custos de produção. I

Enquanto o consumidor sente o peso na fatura de energia, o problema revela a urgência de um planejamento integrado. A solução não está apenas em diversificar a matriz energética com fontes como solar e eólica, mas em adotar uma gestão hídrica que considere múltiplos usos, abastecimento, irrigação, indústria e conservação.

“O cidadão tem um papel importante ao economizar água e luz, mas a responsabilidade maior está na governança e na estratégia de longo prazo. Fazer uma ‘gestão hídrica estratégica’ significa orquestrar o uso da água entre todos os setores, proteger nossas nascentes e investir em infraestrutura de saneamento e drenagem. Se não tratarmos a crise climática como prioridade, crises de abastecimento, enchentes e energia cara deixarão de ser exceção para se tornarem a regra, com um custo social e econômico cada vez mais alto para o país”, finaliza a professora.


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