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terça-feira, 3 março, 2026

Combate ao colesterol alto em crianças e adolescentes é questão de saúde pública

O aumento do colesterol nas crianças e adolescentes é um tema que deve ser amplamente abordado junto à população, pois pode trazer graves consequências à saúde dos jovens. A causa mais comum é uma alimentação rica em gorduras aliada ao sedentarismo, combinação que pode levar à obesidade infantil, aumentando o risco do colesterol LDL, que é ruim, no sangue.

Segundo o Atlas Mundial de Obesidade 2024, o Brasil pode ter até 50% das crianças e adolescentes entre cinco e 19 anos com obesidade ou sobrepeso em 2035. Além de todos os problemas de saúde relacionados à obesidade, ainda há o aumento dos triglicerídeos, que é o colesterol que vem do açúcar, relacionado ao risco de diabetes principalmente nas crianças obesas.

Um dos grandes perigos do colesterol alto nos jovens é a impressão de que ele não faz tão mal, já que o risco imediato é baixo. A questão é que, com o tempo, caso a situação não seja controlada, ele pode aumentar muito. Com os anos, o colesterol começa a se depositar nas paredes dos vasos sanguíneos, o que aumenta o risco cardiovascular para doenças coronarianas no coração, culminando em um infarto do miocárdio. Além disso, pode acumular nos vasos da circulação cerebral, levando a um acidente vascular cerebral, o AVC.

A boa notícia é que é possível controlar o avanço do problema para garantir um futuro saudável às crianças e adolescentes, evitando, inclusive, uma morte relacionada a doenças cardiovasculares crônicas de forma precoce. É necessário que a sociedade reconheça a importância do tema e invista na qualidade de vida desse recorte da população, proporcionando uma alimentação saudável, a prática de exercícios físicos, o combate ao sedentarismo, acompanhamento de saúde geral e o incentivo para que possam crescer com hábitos de vida saudáveis.

As recomendações para os pais e cuidadores são: levem seus filhos ao pediatra e ao cardiopediatra, acompanhem seus índices de saúde, façam boas escolhas alimentares e incentivem os exercícios. Crescer de forma ativa e saudável é a melhor prevenção para evitar o colesterol alto na infância e as doenças cardiovasculares no futuro.

Silvana Vertematti é pediatra e especialista da medicina do exercício e do esporte do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).


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