Transmitir valores e regras com clareza é responsabilidade de todos os envolvidos na educação
O aumento dos episódios de violência e bullying nas escolas tem preocupado famílias e educadores em todo o país. Relatos frequentes de agressões físicas, intimidação verbal e exclusão social evidenciam um cenário que exige atenção constante e respostas coordenadas. Mais do que números, o que se observa é um ambiente que precisa ser fortalecido por meio do diálogo, da escuta e da corresponsabilidade entre família e escola.
Para a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, são diversos fatores que contribuem para o aumento desse número, e que, geralmente, sempre há uma história de dor, negligência ou falta de pertencimento por trás de uma agressividade do aluno em relação a colegas ou professores. “Vivemos um tempo de grande desregulação emocional. As crianças e adolescentes chegam para estudar carregando ansiedades, frustrações e inseguranças que, muitas vezes, não encontram espaço de escuta ou acolhimento. O excesso de telas e o enfraquecimento do vínculo familiar contribuem para os comportamentos impulsivos e agressivos. A violência pode ser um pedido de ajuda”, revela a profissional.
Responsabilidades educativas
De acordo com Paula, um dos principais desafios na relação família-escola hoje é a divisão de responsabilidades. “Frequentemente, a instituição de ensino é cobrada por questões que pertencem ao âmbito familiar, enquanto parte dos responsáveis esperam que o estabelecimento educacional eduque emocionalmente seus filhos. A falta de tempo, de vínculo e de confiança dificulta a colaboração necessária para um desenvolvimento saudável”.
Apesar de complementares, os papéis são distintos; a escola educa para o convívio social e para o conhecimento, enquanto a família transmite valores essenciais para a vida, como respeito, empatia e responsabilidade. “Quando esses papéis se confundem, as crianças perdem referências claras e têm mais dificuldade de compreender regras e limites de convivência”, completa.
Ajuda profissional
Quando a agressividade deixa de ser pontual e começa a se manifestar de forma intensa e recorrente, prejudicando o aluno e seu grupo, ela se torna um sinal de alerta que exige atenção especializada. “Acompanhamento psicológico é fundamental para identificar as causas do comportamento e oferecer caminhos mais saudáveis de expressão e regulação emocional”, pontua Paula.
É igualmente importante zelar pelo bem-estar dos professores que, diante de pressões e do desgaste emocional, também podem apresentar condutas inadequadas. “O diálogo mediado pela coordenação e pela equipe pedagógica é sempre o melhor caminho para acolher e corrigir eventuais equívocos”, destaca a psicopedagoga.
Prevenir conflitos
Encontros mais frequentes e menos burocráticos permitem que as reuniões sejam além da simples identificação de problemas. São oportunidades onde todos podem ouvir e ser ouvidos, compartilhar estratégias e criar soluções para proteger o ambiente escolar da violência. É possível promover momentos de troca, reuniões temáticas, oficinas e palestras que envolvam os pais de forma ativa e afetiva. “Quando ambos reconhecem que compartilham o mesmo objetivo, que é o bem-estar da criança, o diálogo se torna mais produtivo”, frisa Paula.
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