No menu items!
21 C
São Paulo
quinta-feira, 5 fevereiro, 2026

Cidades são laboratórios para reinventar a agenda do clima

Por Luiz Augusto Pereira de Almeida

Ante a falta de progressos no cumprimento do Acordo de Paris e no quesito fundamental da eliminação dos combustíveis fosseis, é importante ficar atento às recomendações do “Relatório Cidades e Ação Climática da ONU-Habitat. O documento chama atenção para um ponto importante: ninguém que mora em áreas urbanas vai escapar dos efeitos do clima extremo. As ondas de calor já são mais fortes, as tempestades chegam com mais violência e as secas duram mais tempo.

São bilhões de pessoas no mundo, inclusive no Brasil, que vão enfrentar riscos maiores e mais constantes. E isso já está acontecendo e não é previsão distante. Basta lembrar dos verões cada vez mais quentes, das enchentes que paralisam cidades inteiras, ou mesmo de tufões, como o que arrasou recentemente a cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu.

Porém, a crise climática não atinge todo mundo da mesma forma. Quem mora em áreas precárias, longe dos serviços públicos, em moradias frágeis ou mal localizadas sente antes e de maneira pior e mais intensa. A desigualdade urbana vira combustível para ampliar o desastre climático. É por isso que o relatório destaca a importância de políticas que pensem na vida real das pessoas, principalmente das mais vulneráveis. Cuidar do clima também é uma questão de justiça social.

As cidades precisam reagir. Com planejamento, investimento e boa gestão, é possível diminuir emissões, proteger a população e tornar os espaços urbanos mais seguros. Isso passa por melhorar a infraestrutura das ruas, saneamento básico, drenagem, moradia e transporte, bem como garantir que tudo isso seja resistente às mudanças no clima. Mas, também significa rever a forma como ocupamos o território e como desenhamos nossas cidades.

É nesse ponto que entra uma solução essencial e muitas vezes mal compreendida: o adensamento urbano. Cidades mais adensadas, com moradia perto do transporte, dos serviços e das oportunidades de trabalho, reduzem deslocamentos, diminuem emissões, facilitam o acesso a empregos e tornam a vida urbana mais eficiente.

São Paulo, por exemplo, quando investe em adensar áreas com metrô, corredores de ônibus e infraestrutura pronta, evita que as pessoas sejam empurradas para longe, onde o transporte é caro, o acesso é mais difícil e os riscos climáticos são maiores. É melhor crescer para cima e com qualidade do que se espalhar para longe sem estrutura.

Além disso, o relatório destaca que soluções baseadas na natureza — mais árvores, áreas verdes, parques e rios recuperados — ajudam a refrescar a cidade, melhorar o ar e reduzir enchentes. Entretanto, tudo isso funciona melhor quando a estrutura urbana é compacta e bem conectada. Uma cidade espalhada demais custa mais caro, polui mais e deixa as pessoas mais expostas. Quando adensada e planejada, reduz custos, aumenta eficiência e melhora a qualidade da vida.

Por fim, o relatório da ONU-Habitat lembra que falta dinheiro para tudo isso: o mundo teria de investir trilhões de dólares por ano para adaptar as cidades ao clima. Mas, também mostra que o caminho da solução existe, e passa por cidades mais justas, mais verdes e mais compactas. Não é apenas uma questão de salvar o planeta; é sobre viver melhor, com mais segurança, dignidade e qualidade.

Em síntese, se quisermos enfrentar a crise climática, precisamos olhar com carinho para onde tudo acontece, ou seja, as cidades, e apostar em um crescimento urbano inteligente e adensado, como São Paulo tem começado a fazer em algumas regiões. O futuro urbano e do clima depende muito disso.

Luiz Augusto Pereira de Almeida é diretor da Sobloco Construtora e membro do Conselho da AELO


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Descarte irregular de lixo é um grave problema na Capela do Socorro

Um dos principais reflexos do descarte irregular são as...

Viaturas elétricas da GCM da capital evitam emissão de 243 toneladas de CO₂ na atmosfera

Iniciativa, que equivale ao plantio de 10 mil árvores, integra ações municipais de descarbonização, que incluem 1.149 ônibus elétricos e caminhões a biometano As viaturas...

Subprefeitura Pinheiros inicia obras de revitalização da Praça Mycle Alexandre Campos Melo

Local é frequentado por moradores e pacientes da UPA Lapa A Subprefeitura Pinheiros deu início às obras de revitalização das calçadas da Praça Mycle Alexandre...

Descarte irregular de lixo é um grave problema na Capela do Socorro

Um dos principais reflexos do descarte irregular são as enchentes e alagamentos O descarte irregular de lixo continua sendo um dos principais desafios enfrentados na...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Visão geral de privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.