Chimpanzés falam?

O estudo científico dos grandes macacos vem descobrindo novas semelhanças com os humanos. A PLOS Biology (revista científica de acesso aberto publicada pela Public Library of Science – PLOS) publicou o artigo “Humans and great apes visually track event roles in similar ways” (humanos e grandes primatas rastreiam visualmente os papéis em eventos de modos semelhantes) de Vanessa A. D. Wilson et all.

A linguagem é considerada única aos seres humanos. Um mecanismo importante é a tendência de falantes e ouvintes a decompor eventos em relações agente-paciente, por exemplo, em uma sentença como “Alice pegou a lagarta”, Alice é a agente, e a lagarta, a paciente.

Ao apreender o essencial de eventos em imagens estáticas, as pessoas tendem a identificar os agentes mais rapidamente do que os pacientes e o fazem quase instantaneamente, com pouca variação entre culturas e línguas. A identificação inicial de agentes é tipicamente seguida por uma atenção distribuída entre agentes e pacientes.

Embora seja evidente que os animais percebem os participantes de eventos, sua atenção pode ser absorvida pelos atributos sociais dos participantes, como suas identidades, papéis sociais ou intenções comportamentais.

A hipótese testada é que os animais são capazes de decomposição de eventos semelhantes à humana, mas não possuem motivação ou recursos para comunicar relações agente-paciente. Para explorar isso, testaram como participantes de espécies de hominídeos próximos perceberam uma variedade de eventos naturais.

Compararam respostas visuais a videoclipes curtos entre membros de 4 gêneros de grandes primatas: humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. Também testaram os bebês humanos de 6 meses de idade.

Humanos adultos e primatas não humanos focaram inicialmente na ação, como ocorre quando humanos descrevem ações em imagens estáticas. Já em vídeos com comida, humanos e primatas mostraram um viés claro para agentes no início da ação, mais pronunciado em humanos.

Agentes agindo sobre pacientes inanimados foram mais fáceis de identificar do que em interações sociais, sugerindo que a natureza do paciente influencia a expectativa sobre a agência. Humanos adultos focaram mais em agentes e pacientes, enquanto os primatas exploraram mais outras áreas, especialmente os orangotangos. Essa diferença pode ter origem na detecção de olhares devido ao equipamento ou menor amostra de dados.

Bebês humanos de 6 meses focaram mais em informações de fundo, ao invés de agentes ou pacientes, sugerindo dificuldades em processar eventos dinâmicos complexos.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Prefeitura abre inscrições para evento gratuito sobre soluções de infraestrutura urbana e social para cidades sustentáveis 

Encontro será realizado em 19 de novembro na região central, em parceria com a FGV Cidades A Prefeitura promove, por meio da SP Parcerias, a...

Dia Mundial dos Animais: perda de habitat é a maior ameaça à fauna silvestre no Brasil e exige recomposição ecológica

Por Mario Barila O Dia Mundial dos Animais, celebrado em 4 de outubro, impõe uma reflexão urgente sobre a situação da fauna silvestre brasileira, especialmente...

El Niño influencia primavera com chuvas e temperaturas contrastantes no Brasil

Pesquisadora explica os efeitos do fenômeno e as tendências para a nova estação  Mais chuva no Sul e em parte do Sudeste, menos no Norte...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui