Casos recentes envolvendo crianças com TEA acendem alerta para prevenção de acidentes

SBNI reforça recomendações de segurança para famílias, escolas e serviços de saúde

Dois casos recentes envolvendo crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) chamaram a atenção de profissionais de saúde e da sociedade para a importância da prevenção de acidentes. Em Ribeirão Preto (SP), um menino de 4 anos com TEA sobreviveu após cair do décimo andar de um prédio. Já em Jeceaba (MG), uma menina de 4 anos, também com diagnóstico de TEA, permaneceu desaparecida por três dias em uma área de mata até ser localizada.

Diante desses episódios, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) reforça que crianças com TEA apresentam riscos específicos, que exigem uma abordagem de segurança ativa, antecipatória e individualizada, envolvendo família, escola e serviços de saúde. “Crianças com TEA podem ter dificuldade em perceber situações de perigo, comunicar-se em momentos de emergência ou lidar com estímulos sensoriais intensos. Por isso, a prevenção precisa ser pensada antes do acidente acontecer”, afirma o neurologista infantil Dr. Erasmo Casella, membro do Departamento Científico de Transtornos de Neurodesenvolvimento da SBNI.

Riscos mais comuns em crianças com TEA

Entre os principais riscos estão:
   •   Fuga ou saída repentina sem supervisão (elopement)
   •   Déficit na percepção de perigo, como trânsito, altura e água
   •   Hipersensibilidades sensoriais a ruídos, luzes e texturas
   •   Crises comportamentais com risco de auto ou heteroagressão
   •   Comorbidades associadas, como epilepsia, TDAH, distúrbios do sono e ansiedade
   •   Dificuldade de comunicação em situações críticas

Segurança em casa: prioridade absoluta

A SBNI recomenda que o ambiente doméstico seja adaptado para reduzir riscos:
   •   Instalação de travas altas ou duplas em portas e portões
   •   Alarmes de abertura em portas e janelas
   •   Uso de identificação visível, como pulseiras ou etiquetas na roupa
   •   Manter fotos recentes da criança facilmente acessíveis
   •   Fogão com trava de segurança e produtos tóxicos fora do alcance
   •   Piscinas sempre cercadas e supervisão constante em banheiros

Atenção redobrada em escolas e terapias

Ambientes educacionais e terapêuticos devem contar com:
   •   Plano Individual de Segurança (PIS)
   •   Profissionais treinados para lidar com fugas, crises sensoriais e convulsões
   •   Rotinas previsíveis, com apoio visual
   •   Comunicação direta e constante com a família

“O manejo inadequado, inclusive contenções físicas sem treinamento, pode agravar crises e gerar riscos adicionais”, alerta Dr. Erasmo Casella.

Transporte e ambientes públicos

Durante deslocamentos e passeios, é fundamental:
   •   Uso correto de cadeirinhas e travas de segurança no carro
   •   Nunca deixar a criança sozinha no veículo
   •   Identificação visível em locais públicos
   •   Planejamento prévio de rotas de saída e preferência por horários menos movimentados

Comunicação, autonomia e emergências

Sempre que possível, deve-se estimular:
   •   O ensino do nome da criança e de um contato de emergência
   •   Treinamento para pedidos de ajuda
   •   Uso de recursos de comunicação alternativa
   •   Registro da condição de TEA em prontuários e pulseiras médicas

Cuidado também com a família

A SBNI destaca ainda a importância do apoio aos cuidadores. “A supervisão constante gera desgaste físico e emocional. Dividir responsabilidades e contar com rede de apoio é fundamental para a segurança da criança e a saúde da família”, reforça o especialista.

Segundo a entidade, os casos recentes devem servir como alerta para ampliar a conscientização e fortalecer estratégias de prevenção. “Acidentes não são inevitáveis. Com informação, planejamento e adaptação do ambiente, é possível reduzir significativamente os riscos”, conclui Dr. Erasmo Casella.


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