ARTIGO | Medidas imediatas para um ano novo mais feliz

O Brasil terminou 2023 com duas conquistas consideráveis, representadas pela prorrogação até 2027 da desoneração da folha de pagamentos e a histórica aprovação da reforma tributária depois de três décadas de frustradas tentativas. A primeira, embora muito positiva, não representa uma redução de encargos, apenas evitando seu agravamento, pois já vinha sendo aplicada desde 2012. Quanto ao novo sistema de impostos, é um avanço estrutural, com impacto significativo na economia.

É preciso considerar, ainda, que a reforma tributária, apesar de seu inegável efeito psicológico e de estímulo ao ambiente de negócios, terá um longo período de transição até 2032. Por isso, é imprescindível equacionar os fatores nocivos à competitividade nacional passíveis de solução em prazo mais curto. Um deles refere-se aos juros, que precisam cair de modo mais acentuado, pois, a despeito da curva descendente no segundo semestre de 2023, ainda estão entre os mais elevados do mundo.

Outra providência importante é a melhoria da segurança jurídica. Exemplo do quanto isso é prioritário verifica-se na esfera da pequena reforma trabalhista de 2017 (Lei 13.467), cujas disposições seguem enfrentando resistências nos tribunais, o que limita seus efeitos práticos. Os acordos soberanos entre empregadores e recursos humanos não podem permanecer submetidos à subjetividade e interpretações. Leis devem ser cumpridas.

Acredito que a rápida adoção das medidas aqui abordadas poderá até mesmo levar o Brasil a superar as estimativas para o crescimento do PIB em 2024, em torno de 1,5%. Tal índice é baixo para um país que precisa criar milhões de postos de trabalho, elevar de modo expressivo o nível de investimentos e ampliar sua competitividade, não apenas para ganhar espaço no comércio global, como para defender o próprio mercado interno da concorrência com produtos estrangeiros, cuja produção não tem os mesmos ônus que os nossos. Que a reforma tributária inspire a realização da administrativa, também essencial, e o destravamento de todos os outros fatores que, há tanto tempo, vêm impedindo anos novos mais felizes.

Rafael Cervone, engenheiro e empresário, é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Governo apresenta plano para desenvolver bioeconomia no país

Plano abrange Sociobioeconomia, Bioindustrialização e Economia Circular O governo apresentou,...

Fatores sociais empurram famílias para ultraprocessados, diz pesquisa

Preços baixos e a sobrecarga materna fazem com esses...

TEA em adultos: por que o diagnóstico tardio mistura alívio e dúvidas

Por Ellen Moraes Senra O diagnóstico tardio do Transtorno do...

Governo apresenta plano para desenvolver bioeconomia no país

Plano abrange Sociobioeconomia, Bioindustrialização e Economia Circular O governo apresentou, na quarta-feira (1º), uma nova estratégia para tornar a biodiversidade um dos principais ativos econômicos...

Fatores sociais empurram famílias para ultraprocessados, diz pesquisa

Preços baixos e a sobrecarga materna fazem com esses alimentos sejam atrativos para grande parte da população A sobrecarga materna, o preço atraente e até...

TEA em adultos: por que o diagnóstico tardio mistura alívio e dúvidas

Por Ellen Moraes Senra O diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos costuma provocar uma mistura de sentimentos como alívio, dúvidas e...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui