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sábado, 3 janeiro, 2026

ARTIGO | Invalidação emocional e suas consequências irreversíveis

Você já ouviu frases do tipo “meninos não choram” ou “sentimentalismo é coisa de gente fresca”? Já viu mamães e papais mandando a criança “engolir o choro”? Se você conhece casos assim, então você se deparou com algum tipo de invalidação emocional.

A invalidação emocional acontece quando sentimentos e emoções de uma pessoa são embargados por outros que fazem julgamentos e tratam essa manifestação emocional como incorreta, descabida, inadequada. A pessoa que sente o que sente passa a desmerecer e talvez até desacreditar de suas emoções, reprimindo-as, o que acarreta numa dificuldade posterior para lidar com elas. Por isso, muitos não sabem administrar as sensações e sentimentos quando estas ocorrem.

Muitas vezes as pessoas invalidam emocionalmente sem querer e sem ter a intenção de fazer isso. Quando dizemos coisas parecidas com “você não precisa ter medo”, estamos de algum modo negando algo que está acontecendo e que precisa ser acolhido. Alguns pais reforçam a invalidação com a melhor das intenções quando dizem coisas do tipo “viu, não precisava ter tido medo” após uma situação vivida pela criança com a presença do medo. Dizer isso pode ser lido pela criança como “o que você sentiu não era necessário ou adequado” e isso causa confusão em sua mente, já que independente de qualquer ajustamento ou não, ela sentiu o medo.

Geralmente a invalidação emocional provoca marcas mais importantes na infância e na juventude. Crianças e adolescentes estão descobrindo o mundo e a si mesmos.

Estudos têm mostrado a relação existente entre a invalidação emocional na infância e o desenvolvimento de transtorno de personalidade histriônica, borderline, narcisista e antissocial (Custer B), por exemplo.

Todos nós precisamos sentir acolhimento, que somos amados e compreendidos, até mesmo (e talvez mais ainda) quando erramos. Não que tenhamos que concordar com os erros das pessoas, mas acolher seus sentimentos diante de dadas circunstâncias.

O grande desafio é poder ajudar a pessoa a sentir, mostrar que compreende suas sensações mesmo que precisa e deva mudar algum comportamento.

Mas, se por outro lado falhamos nessa missão, podemos favorecer dificuldades emocionais e relacionais significativas que acompanharão a pessoa vida à fora.

Silvia Queiroz é Psicóloga Clínica e Mestre em Teologia


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