ARTIGO | Invalidação emocional e suas consequências irreversíveis

Você já ouviu frases do tipo “meninos não choram” ou “sentimentalismo é coisa de gente fresca”? Já viu mamães e papais mandando a criança “engolir o choro”? Se você conhece casos assim, então você se deparou com algum tipo de invalidação emocional.

A invalidação emocional acontece quando sentimentos e emoções de uma pessoa são embargados por outros que fazem julgamentos e tratam essa manifestação emocional como incorreta, descabida, inadequada. A pessoa que sente o que sente passa a desmerecer e talvez até desacreditar de suas emoções, reprimindo-as, o que acarreta numa dificuldade posterior para lidar com elas. Por isso, muitos não sabem administrar as sensações e sentimentos quando estas ocorrem.

Muitas vezes as pessoas invalidam emocionalmente sem querer e sem ter a intenção de fazer isso. Quando dizemos coisas parecidas com “você não precisa ter medo”, estamos de algum modo negando algo que está acontecendo e que precisa ser acolhido. Alguns pais reforçam a invalidação com a melhor das intenções quando dizem coisas do tipo “viu, não precisava ter tido medo” após uma situação vivida pela criança com a presença do medo. Dizer isso pode ser lido pela criança como “o que você sentiu não era necessário ou adequado” e isso causa confusão em sua mente, já que independente de qualquer ajustamento ou não, ela sentiu o medo.

Geralmente a invalidação emocional provoca marcas mais importantes na infância e na juventude. Crianças e adolescentes estão descobrindo o mundo e a si mesmos.

Estudos têm mostrado a relação existente entre a invalidação emocional na infância e o desenvolvimento de transtorno de personalidade histriônica, borderline, narcisista e antissocial (Custer B), por exemplo.

Todos nós precisamos sentir acolhimento, que somos amados e compreendidos, até mesmo (e talvez mais ainda) quando erramos. Não que tenhamos que concordar com os erros das pessoas, mas acolher seus sentimentos diante de dadas circunstâncias.

O grande desafio é poder ajudar a pessoa a sentir, mostrar que compreende suas sensações mesmo que precisa e deva mudar algum comportamento.

Mas, se por outro lado falhamos nessa missão, podemos favorecer dificuldades emocionais e relacionais significativas que acompanharão a pessoa vida à fora.

Silvia Queiroz é Psicóloga Clínica e Mestre em Teologia


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

Últimas

Prefeitura publica metas do Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) para os próximos anos

O planejamento de 2025-2028 fortalece a agenda pública para...

Canais misóginos no Youtube somam mais de 130 mil vídeos

São 23 milhões de inscritos, diz NetLab da UFRJ Pelo...

Prefeitura publica metas do Plano Municipal pela Primeira Infância (PMPI) para os próximos anos

O planejamento de 2025-2028 fortalece a agenda pública para Primeira Infância na cidade de São Paulo pelos próximos anos A Prefeitura de São Paulo lançou,...

Canais misóginos no Youtube somam mais de 130 mil vídeos

São 23 milhões de inscritos, diz NetLab da UFRJ Pelo menos 123 canais brasileiros que disseminam conteúdo contra mulheres estão ativos no YouTube, mostra um...

Prefeitura entrega mais de meio milhão de próteses dentárias e amplia acesso à saúde bucal na capital

Expansão da rede municipal garantiu mais de 10,5 milhões de procedimentos odontológicos nos últimos cinco anos A Prefeitura de São Paulo ampliou o acesso da...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui