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sexta-feira, 2 janeiro, 2026

A Literatura Inclusiva de Maurício de Souza

André Naves (*)

Tenho várias memórias infantis. Uma das que sempre lembro era de correr até a banca de jornais para comprar os gibis da Turma da Mônica. E nas férias, então? Eu lembro de esperar ansiosamente pelo “Almanacão de Férias da Turma da Mônica”, com muito mais historinhas e diversas atividades para o tempo de descanso. Até hoje, sempre que abro o Estadão ou o Globo, corro até a parte dos quadrinhos, para ler as novas aventuras da turma.

No fim, o que aconteceu é que Maurício de Souza despertou em mim a boa paixão pela leitura. Graças à linguagem acessível e ilustrada das tirinhas, que pode ser bem entendida por todos, desde crianças até adultos, que eu pude ler outros clássicos da literatura. Como entender, por exemplo, os neologismos de Guimarães Rosa, baseados no falar de nossa gente, sem ter lido o Cebolinha, trocando os “R” pelos “L”?

Maurício de Souza é um gênio da literatura nacional exatamente por isso. Ele torna suas histórias igualmente interessantes e inteligíveis para todos. Ele é a base da boa literatura, a fundação da boa linguagem e da narrativa interessante! Aliás, ele deu protagonismo à Mônica e a diversos outros personagens (não vou mencioná-los aqui já que são muitos) plurais, trazendo naturalidade para questões socialmente delicadas, como a exclusão social e os diversos tipos de preconceito.

É assim que temáticas essenciais, como o protagonismo feminino, o combate ao bullying e aos preconceitos raciais, por origem social, linguísticos, por diversidade funcional, dentre outros, são levadas de maneira leve, e nem por isso menos séria. São diversos os personagens com diferenças físicas, étnicas, regionais e culturais e que ostentam capacidades que se complementam.

Esse é um dos motivos pelo quais a “Turma” ganhou fama: cada personagem é único em suas características individuais, mas todos juntos conseguem encontrar a solução para as diversas aventuras que enfrentam. Além disso, a linguagem simples, fácil e genial nos lembra sempre que a verdadeira cultura nasce da vida popular! A literatura é do povo! Ela não pode se refugiar em isoladas torres de marfim.

O bem que Maurício de Souza fez à literatura brasileira não está no gibi!

*André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; Mestre em Economia Política.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

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