ARTIGO | Os perigos da hiperconectividade para a saúde

Um dos grandes privilégios proporcionados pela evolução tecnológica dos últimos anos está relacionado à comunicação. Durante o período da pandemia de Covid-19, as videoconferências entraram na nossa rotina diária, para falarmos com nossos familiares, para reuniões de trabalho e até mesmo para delegação de funções e tarefas à distância.

O que se vê hoje nos centros urbanos é um fenômeno chamado hiperconectividade. Hiperconectividade é o uso excessivo de tecnologia, em especial smartphone, tablet e computadores. Eu costumo dizer que a tecnologia aproximou pessoas distantes e afastou pessoas próximas comprometendo relacionamentos.

Existe um conceito que vem sendo discutido há alguns anos chamado FOMO (Fear of Missing Out ou, em tradução livre, medo de perder algo ou ficar de fora). E como esse comportamento das pessoas diante da tecnologia pode ser extremamente comprometedor para as nossas vidas?

Quando começamos a ter o desenvolvimento cerebral afetado, e o cérebro das crianças quando está numa fase crítica e desenvolvimento, a exposição excessiva das telas pode afetar áreas relacionadas à tensão, controle de impulsos, desenvolvimento de habilidades sociais, problemas de atenção, a constante simulação pode levar a dificuldade de concentração, atenção sustentada.

O problema não é a ferramenta, mas como estamos utilizando-a, seja computador, tablet ou smartphone. Entretanto, vinte anos atrás, acreditávamos que várias ferramentas iriam ajudar a melhorar a nossa inteligência. E isso não aconteceu. Infelizmente, não conseguimos prever o que as novas tecnologias que surgiram gerariam e hoje constatamos que os filhos têm uma inteligência inferior à dos pais.

Portanto, pais, tenham a disciplina de usar aplicativos e controlar as horas dos seus filhos no celular. Nós temos o poder de mudar, usando essas ferramentas tecnológicas para construir relacionamentos, um mundo melhor, não destruir relacionamentos e o cérebro das pessoas.

*Dr. Jô Furlan é médico, neurocientista, nutrólogo, criador da Teoria da Inteligência Comportamental Humana e precursor do conceito de Neurowellness, bem-estar do cérebro.


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