Quando um bebê nasce antes do tempo, a preocupação costuma estar concentrada em uma pergunta: quando ele poderá ir para casa?
Durante a internação, cada avanço importa. Respirar sem ajuda, ganhar peso, conseguir se alimentar. A alta hospitalar se torna o objetivo de todos.
Mas será que estamos dando a mesma atenção ao que acontece depois dela?
A prematuridade não termina na porta da maternidade. Um bebê que nasceu com 26 semanas tem necessidades diferentes daquele que nasceu com 36. E mesmo crianças que parecem estar evoluindo bem podem precisar de acompanhamento específico.
O desenvolvimento não deve ser avaliado apenas pelo calendário. A idade corrigida, que considera quantas semanas faltaram para completar a gestação, ajuda a compreender o ritmo de cada criança. Mas respeitar esse tempo não significa simplesmente esperar.
Identificar precocemente alterações motoras, de linguagem, comportamento ou interação social permite intervir quando o cérebro apresenta grande capacidade de adaptação.
A prevenção também merece atenção. Prematuros têm maior vulnerabilidade a infecções respiratórias, especialmente à bronquiolite, e podem precisar de medidas específicas de proteção e imunização.
Existe ainda uma parte dessa história que raramente recebe a mesma atenção: os pais. A alta não apaga o medo vivido durante a internação, nem a insegurança de assumir os cuidados em casa.
Novembro Roxo é um convite para ampliar essa discussão. Não se trata de considerar todo prematuro uma criança doente, mas de reconhecer que suas necessidades não desaparecem quando ele deixa a UTI.
Talvez precisemos mudar a pergunta. Em vez de apenas celebrar que esse bebê sobreviveu, precisamos nos perguntar: estamos oferecendo a ele todas as oportunidades para se desenvolver?

Dra. Eliana Maekawa
Pediatra e Neonatologista
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