Nesta quarta-feira vivi uma experiência que me emocionou profundamente. Fui convidada para participar de uma atividade na escola da minha filha, de 6 anos. O projeto que eles estão estudando é sobre sementes: como elas são plantadas, germinam, crescem e florescem. A professora me chamou para fazer uma comparação entre esse processo e o desenvolvimento dos bebês durante a gestação.
Expliquei que todos nós começamos muito pequenos. Nas primeiras semanas de vida, somos menores que muitas sementes que as crianças conhecem. Conforme o bebê cresce dentro do útero, seu tamanho pode ser comparado ao de uma ervilha, uma uva ou um abacate. A cada fase surgem novas estruturas, movimentos e descobertas.
Contei que, dentro da barriga da mãe, tudo o que o bebê precisa chega pelo cordão umbilical. É por ele que recebemos oxigênio e nutrientes para crescer. Falamos sobre a importância da alimentação saudável durante a gestação, mas também sobre algo que não aparece nos exames: o amor e o cuidado que acompanham o bebê desde antes do nascimento.
As perguntas surgiram rapidamente.
— O bebê lembra da barriga da mamãe?
Expliquei que não temos memórias conscientes desse período, mas sabemos que os bebês reconhecem vozes e percebem sons ainda dentro do útero.
Então vieram perguntas ainda mais profundas.
— Por que algumas crianças nascem sem uma perna?
— Por que algumas mamães abandonam seus bebês?
Foi impossível não me emocionar.
As crianças não perguntam para julgar. Perguntam porque querem entender. Querem compreender as diferenças, as dores e as histórias que existem ao seu redor. Existe uma empatia natural na infância que muitas vezes nós, adultos, vamos perdendo pelo caminho.
Conversamos sobre como algumas pessoas nascem diferentes e sobre situações difíceis que algumas famílias enfrentam. Mas também falamos sobre acolhimento, respeito e amor.
Ao final da atividade, sentamos em roda e cantamos juntos:
“Eu plantei uma semente, uma semente.
Essa semente floresceu.
Para o alto, para o alto eu vou florescer.”
De mãos dadas, olhando para aquelas crianças, percebi que elas compreendem algo que nós passamos a vida tentando reaprender: toda vida merece cuidado. Toda vida merece amor. E toda criança merece um ambiente seguro para crescer e florescer.
Talvez a empatia seja uma das primeiras sementes que carregamos dentro de nós. E talvez nossa missão, como pais, educadores e profissionais da saúde, seja justamente protegê-la para que continue florescendo ao longo da vida.

Dra. Eliana Maekawa
Pediatra e Neonatologista
@draelianamaekawa
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