Impactos do excesso de informação para a formação médica no Brasil

Por Fabio Miyagawa

O crescimento acelerado da produção científica em saúde, associado à expansão da IA generativa, tem alterado a dinâmica da formação médica no Brasil. 

Historicamente, o curso de medicina exigia dos estudantes a memorização de um grande volume de conteúdo em pouco tempo. Com a chegada das ferramentas digitais e a multiplicação de fontes clínicas disponíveis, o estudante passou a lidar também com a dificuldade de identificar quais informações e recursos merecem mais atenção.

Essa adaptação poderia prejudicar o desempenho acadêmico, visto que 33,3% das 72 instituições de ensino respondentes da pesquisa Desafios e abordagens para a formação médica em tempos de saúde digital no Brasil afirmam que os estudantes possuem alto nível de conhecimento tecnológico, enquanto apenas 19,4% dos professores estão totalmente preparados para utilizar ferramentas digitais e metodologias modernas no ensino.

Ainda que soluções tecnológicas possam auxiliar na seleção e organização do conhecimento, o excesso de informação sem instrução é um problema recorrente e pode ser prejudicial para a formação. A mesma pesquisa aponta que 70,8% dos estudantes de medicina sofrem com sobrecarga de conteúdo teórico e 36,1% têm dificuldade de acompanhar literatura médica.

O ensino médico no Brasil apresenta grande potencial qualitativo, visto que 50% das instituições promovem a Medicina Baseada em Evidências (MBE) como prática padrão e 72,2% oferecem acesso a ferramentas de suporte à decisão (SDC).

Atrelado ao excesso de informação e complexidade no gerenciamento de conteúdo, os estudantes e médicos recém-formados vêm apresentando dificuldades para aplicar o conhecimento em cenários práticos e na tomada de decisões rápidas e baseadas em evidências. 

Por isso, os estudantes enfrentam obstáculos para se adaptar aos padrões e novas metodologias do ensino moderno, que exigem constante atualização, domínio de novas ferramentas e maior capacidade de aprendizagem contínua.

A aplicação de ferramentas digitais, como SDC, aliada ao uso da Medicina Baseada em Evidências (MBE), é fundamental para ajudar o aluno a melhor navegar este cenário com excesso de informações e consolidar uma base confiável de conhecimento científico.

Essa abordagem contribui para otimizar a tomada de decisão de estudantes e profissionais da saúde, mitigar os desafios decorrentes da expansão acelerada do conhecimento e ajudá-los a encontrar conhecimento clínico baseado em evidências com qualidade. 

Fabio Miyagawa é Diretor de Marketing da Wolters Kluwer Health no Brasil


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