Iniciativa desenvolvida em EMEI da rede municipal utiliza música, literatura, esporte e brincadeiras para estimular convivência respeitosa
Com o objetivo de promover reflexões sobre respeito, igualdade de gênero e liberdade de escolhas desde a infância, a professora Renata Moura, da EMEI Parque Bologne, no Jardim Ângela, desenvolveu o projeto “Desconstruindo papéis, construindo respeito”. A iniciativa conta com a colaboração da professora Naiany Costa Ferreira e de Surya, jogadora de futebol profissional e Auxiliar Técnica de Educação (ATE) da unidade.
O projeto surgiu a partir da escuta das próprias crianças no início do ano letivo, quando falas marcadas por estereótipos de gênero começaram a aparecer com frequência nas interações da turma.
Vencedora do Prêmio Educador Nota 10 em 2025, Renata conta que a proposta ganhou força após uma situação vivida em sala de aula. “Durante um conflito entre colegas, uma criança pediu minha ajuda dizendo que menina não bate e que quem bate e é forte são os meninos. Aquilo me mostrou o quanto essas ideias já estavam presentes no cotidiano deles”, relata.
A partir desse episódio, a educadora organizou uma sequência de atividades pedagógicas que vêm ampliando repertórios e transformando as relações entre as crianças.
O ponto de partida foi a música “Criança não trabalha”, do grupo Palavra Cantada. A partir das brincadeiras apresentadas no clipe, a turma conversou sobre preferências e interesses, como jogar bola ou brincar de boneca. Nesse momento, surgiram falas que associavam determinadas brincadeiras apenas a meninos ou meninas, registradas em cartazes para reflexão coletiva posterior.
Ao longo do semestre, diferentes linguagens artísticas e literárias passaram a integrar o projeto. A canção “Brincadeira de Menina”, da MC Sofia, contribuiu para debates sobre infância e liberdade de escolha. Já a leitura do livro “A Banda das Meninas”, de Emília Nuñez, incentivou conversas sobre protagonismo feminino e representatividade.
As crianças também participaram de vivências sobre profissões e habilidades técnicas, conhecendo mulheres motoristas, mecânicas e trabalhadoras da construção civil. Em seguida, experimentaram atividades de construção e manutenção, rompendo com a ideia de que determinadas funções pertencem exclusivamente aos homens.
Segundo Renata Moura, os resultados já podem ser percebidos no cotidiano escolar. “Hoje escutamos frases como ‘meninas podem brincar do que quiserem’, ‘eu posso brincar de carrinho, minha mãe dirige’ e ‘todo mundo deve ajudar a arrumar a sala’. São falas simples, mas que mostram mudanças profundas”, afirma.
Diante dos avanços observados, o projeto seguirá ao longo de todo o ano letivo, integrado às práticas pedagógicas da unidade.
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