Pesquisa critica centralização no ensino por competências do novo currículo do ensino médio paulista
Uma recente pesquisa da USP analisou o novo currículo do ensino médio paulista, elaborado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O estudo indica que, entre 2007 e 2020, as diretrizes curriculares passaram por mudanças progressivas, com redução da carga horária de disciplinas tradicionais — como história, geografia, física, química e filosofia — e ampliação de conteúdos de caráter instrumental.
Segundo o estudo, esses novos componentes priorizam a chamada “noção de competências”, com foco no desenvolvimento de habilidades como empreendedorismo, uso de tecnologias, educação financeira, projeto de vida e inteligência emocional, alinhadas às demandas do mercado de trabalho.
“Baseado em referenciais teóricos como o espanhol Gimeno Sacristán e o britânico Michael Young, que compreendem a educação como um campo atravessado por interesses sociais, econômicos e políticos, o estudo recomenda uma postura crítica por parte dos professores em relação ao conteúdo curricular”, explica a professora Cláudia Valentina Assumpção Galian, orientadora do estudo. Os documentos curriculares analisados foram o Currículo Oficial do Estado de São Paulo (Coesp/2008) e o Currículo Paulista (CP/2020).
Para os pesquisadores, esse currículo pode aumentar desigualdads. “Jovens de escolas particulares, em geral, têm mais oportunidades de contato com conteúdos especializados e aprofundados, enquanto estudantes da rede pública costumam ter um currículo mais limitado ou voltado a habilidades genéricas”, explica o sociólogo Kassiano César de Souza Baptista, autor da pesquisa e professor da rede estadual paulista.
A Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo entrou em contato com a reportagem e, por meio de nota, esclareceu que: “As mudanças da pasta seguiram os preceitos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), bem como a Seduc-SP ampliou a carga horária dos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática em novembro de 2024, período não avaliado pela pesquisa mencionada”.
Por Ivanir Ferreira para o Jornal da USP
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