Matheus tinha três anos no nosso primeiro bloquinho. Foi no Sesc Cacupé, em Florianópolis. O céu azul parecia competir com o brilho da purpurina. Confete espalhado pelo chão, música animada e muita sede para matar — no sentido literal. Era dia de beber bastante água.
Ana Luiza ainda era bebê e estava no carrinho, observando tudo com olhos curiosos. Eu e o pai nos dividíamos: enquanto um acompanhava Matheus nas descobertas e nas brincadeiras, o outro cuidava da pequena. Alternávamos funções, atentos. No Carnaval, presença é trabalho em equipe.
Chegamos cedo. Criança pequena não combina com sol a pino nem com exaustão. Protetor solar reaplicado, boné firme na cabeça, roupas leves. A cada 30 ou 40 minutos oferecíamos água, mesmo sem pedido. Criança não percebe a sede antes que o corpo já esteja pedindo socorro — e Carnaval é verão.
Na alimentação, simplicidade: frutas e lanche leve. Nada pesado demais no calor. Energia suficiente para brincar sem desconforto.
Matheus corria, brincava com os amigos, ria alto. E eu lembrava que cuidado não é impedir a experiência — é torná-la segura. Mão sempre próxima. Roupa fácil de identificar. Nome e telefone anotados. Foto atualizada no celular naquele dia. E combinamos algo simples para a idade:“Se você perder a mamãe de vista, procure um policial, um bombeiro ou um adulto que esteja com criança.”
Voltamos para casa cansados, suados e felizes. Talvez ele não guarde todos os detalhes daquele dia em Cacupé. Mas eu guardo. E guardo também a certeza de que alegria e segurança podem caminhar juntas.
Carnaval é memória afetiva. E proteção também é forma de amor.

Dra. Eliana Maekawa
Pediatra e Neonatologista
Mãe do Matheus e da Ana Luiza
SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

