Sambas-enredo das escolas de São Paulo são traduzidos em Libras para surdos curtirem o Carnaval 2026

Projeto Samba com as Mãos permite a compreensão das letras por pessoas surdas ou com deficiência auditiva

O Samba com as Mãos é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo que traduz para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) os sambas-enredo das escolas dos Grupos Especial e de Acesso do Carnaval 2026, o que permite a compreensão das letras por pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

O projeto realiza uma pesquisa aprofundada, desenvolvida de forma colaborativa com autores dos sambas, integrantes das escolas, intérpretes de Libras e a comunidade surda, com o objetivo de preservar os significados das obras e certificar a contextualização de forma adequada. Após essa etapa, são feitas as gravações dos vídeos nos quais intérpretes traduzem os sambas-enredo para a Libras.

O evento de lançamento da 10ª edição do Samba com as Mãos ocorreu na noite de sexta-feira (31), na quadra da escola de samba Rosas de Ouro, atual campeã do Carnaval.

Os vídeos com as interpretações em Libras serão divulgados nas redes sociais da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência SMPED), de acordo com a ordem oficial dos desfiles no Sambódromo do Anhembi, que acontecem dos dias 13 a 15 de fevereiro. A proposta é assegurar que a comunidade surda tenha acesso antecipado aos sambas-enredo e participe do carnaval de forma mais envolvente. O projeto é desenvolvido pela SMPED em parceria com a Liga das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP).

Durante os desfiles, nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi, pessoas surdas e com deficiência auditiva contarão com atendimento ao público por meio de intérpretes de Libras, além de audiodescrição — recurso que transforma informações visuais em descrições faladas e permite que pessoas cegas ou com baixa visão acompanhem os desfiles.

Iniciativas como o Samba com as Mãos são fundamentais para a promoção da inclusão cultural e da acessibilidade. O samba, símbolo da identidade brasileira, representa história, resistência e expressão popular.

De acordo com o Censo Brasileiro de 2010, revisado pelo IBGE em 2017, vivem na cidade de São Paulo 120.660 pessoas com deficiência auditiva. Muitas delas têm a Libras como primeira língua. A comunicação em Libras vai além do uso das mãos: expressões faciais e gestos corporais são elementos essenciais para a transmissão de emoções e para a contextualização das mensagens.


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