O alojamento conjunto aproxima mãe e bebê desde as primeiras horas de vida. Permanecer juntos favorece o vínculo, o reconhecimento dos sinais do recém-nascido e o início da amamentação. Do ponto de vista da saúde, essa proximidade traz benefícios reais. Mas é importante dizer: ela também traz desafios — especialmente quando o bebê chega em casa.
Ainda na maternidade, o recém-nascido passa por exames fundamentais. Teste do pezinho, do coraçãozinho, da orelhinha e do olhinho permitem identificar precocemente condições que podem impactar o desenvolvimento. As primeiras vacinas, como BCG e hepatite B, também fazem parte desse cuidado inicial, protegendo o bebê em um período de maior vulnerabilidade.
Ao chegar em casa, inicia-se uma nova etapa. A primeira semana costuma ser marcada por noites fragmentadas, dor física, dúvidas constantes e uma sensação intensa de responsabilidade. O bebê ainda não diferencia dia e noite, mama com frequência irregular e se comunica principalmente pelo choro.
A mãe cuida do bebê. Mas quem cuida da mãe? Para cuidar bem, ela precisa estar amparada diante dos desafios desse início. Há uma mudança hormonal intensa, transformações profundas no corpo e, muitas vezes, um desencontro entre a expectativa criada e a realidade que se apresenta.
Cuidar da mãe começa por gestos simples e essenciais: oferecer água ou uma refeição enquanto ela amamenta, lavar a louça, guardar a roupa, arrumar a cama, permitir que ela descanse sem culpa. Cuidar é aliviar a carga invisível. Informação clara também acolhe — entender o que é esperado reduz ansiedade e sofrimento desnecessário.
O Janeiro Branco nos lembra que saúde mental também é saúde. Nem toda tristeza é depressão pós-parto, mas toda tristeza merece escuta. Cuidar dos primeiros 1000 dias é cuidar também de quem materna.
Dra. Eliana Maekawa
Pediatra e Neonatologista
Mãe do Matheus e da Ana Luiza
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