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sexta-feira, 23 janeiro, 2026

79% dos hobbies de adolescentes são digitais e aumentam a exposição à violência sexual on-line

Com mais tempo diante das telas nas férias escolares, crianças e adolescentes ficam mais vulneráveis a abordagens abusivas na internet

aneiro marca o período das férias escolares, tradicionalmente associado ao descanso e à diversão de crianças e adolescentes. Com mais tempo livre e menos compromissos, cresce também a permanência diante das telas de celulares e computadores. O uso prolongado de jogos on-line, redes sociais e aplicativos, muitas vezes sem supervisão adequada, amplia a exposição a situações de vulnerabilidade e aos riscos da violência sexual na internet, inclusive quando o acesso ocorre dentro de casa.

Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 23% das crianças e adolescentes brasileiros sofreram algum tipo de violência sexual on-line entre 2022 e 2023. O levantamento revela ainda que 76% das vítimas são meninas, enquanto 87% dos agressores são homens. No mesmo período, o Disque 100 registrou 6.364 denúncias de violência sexual on-line contra crianças e adolescentes.

Esse cenário é reforçado por um estudo do ChildFund, intitulado Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, que ouviu mais de 8 mil adolescentes, entre 13 e 18 anos, de todas as regiões do país, com maior concentração no Nordeste e no Sudeste. A pesquisa revelou que 54% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência sexual on-line, enquanto 20% relataram ter interagido com pessoas desconhecidas ou consideradas suspeitas nesses ambientes virtuais. Outro dado alarmante é que 94% dos adolescentes não sabem como denunciar esse tipo de violência, o que evidencia falhas no acesso à informação e nos mecanismos de proteção.

O levantamento também aponta que, segundo relatos dos próprios adolescentes, 79% dos seus hobbies (atividades não obrigatórias e de lazer)  são digitais, indicando uma redução significativa das interações presenciais. Entre os aplicativos mais utilizados estão Instagram e TikTok. “Mesmo quando não há uma violência explícita, o simples fato de um adolescente interagir com um desconhecido já configura uma situação de risco. Muitos não conseguem identificar abordagens perigosas, o que reforça a importância do acompanhamento de pais, mães e responsáveis, especialmente durante as férias”, alerta Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund, organização que atua há quase 60 anos na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes. 

Desenvolvimento infantil e limites ao uso de telas

A preocupação com o uso excessivo de telas começa ainda na primeira infância. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças menores de dois anos não tenham nenhum contato com as telas, devido aos riscos de atrasos no desenvolvimento cognitivo e psicomotor, além de impactos no sono e no rendimento escolar. Esses prejuízos podem ser ampliados quando o tempo diante das telas substitui atividades e brincadeiras práticas.

“Interações e momentos lúdicos entre pais, mães, cuidadores e crianças geram impactos duradouros e positivos, especialmente na primeira infância”, afirma Cunha. Atividades ao ar livre, práticas esportivas, leitura, jogos presenciais e encontros com amigos contribuem diretamente para o desenvolvimento socioemocional dos adolescentes e para o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. 

Ainda de acordo com o Mapeamento do ChildFund, apenas 21% dos adolescentes praticam hobbies e atividades de lazer off-line, como desenhar, passear ou praticar esportes, dado que acende um alerta para o desequilíbrio entre o tempo de exposição à internet e as experiências fora das telas.

“É nesses momentos de convivência que a parentalidade lúdica se fortalece. Na infância, ela cria um ambiente seguro para que a criança confie nos adultos e compartilhe medos, sonhos e inseguranças. Já na adolescência, essa base afetiva também é de extrema   relevância, pois coincide com a formação e consolidação de vínculos fora do núcleo familiar, como amizades e grupos sociais”, complementa Mauricio.

Dicas para proteger crianças e adolescentes de violências on-line

Mesmo com o acompanhamento dos responsáveis, algumas medidas são fundamentais para ampliar a proteção, entre elas:

  • Controle parental: ativar ferramentas que permitam limitar tempo de uso, downloads e acesso a conteúdos, de acordo com a idade da criança ou adolescente;
  • Atenção aos sinais: mudanças de comportamento, como isolamento, medo, vergonha, culpa ou baixa autoestima, podem indicar situações de abuso ou exploração;
  • Diálogo e confiança: manter uma comunicação aberta e acolhedora facilita que crianças e adolescentes relatem situações de risco logo no início;
  • Abordagem preventiva: explicar, de forma adequada à idade, sobre abordagens de estranhos, pedidos de fotos ou informações pessoais;
  • Estabelecimento de limites: definir horários para uso da internet e priorizar momentos em família, leitura e atividades ao ar livre;
  • Busca por apoio especializado: psicólogos, educadores e especialistas em educação digital podem auxiliar famílias a lidar com o uso excessivo de telas e com situações de risco.

SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

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