Solidão entre idosos se torna alerta de saúde pública, apontam estudos

Pesquisas brasileiras revelam que uma parcela considerável dos idosos sente-se sozinha

O sentimento de solidão, frequentemente subestimado, tem ganhado destaque como um problema de saúde pública no Brasil e no mundo, especialmente entre pessoas idosas.

Uma pesquisa publicada em maio deste ano no Cadernos de Saúde Pública (Fiocruz / Unifesp) mostrou que todos os idosos entrevistados relataram algum tipo de sofrimento psíquico: depressão, ansiedade, angústia, medo ou pensamentos de morte.

A maioria se sente isolada, invisível e como um fardo para familiares.

A convivência limitada, a falta de escuta ativa e a redução da autonomia são fatores que agravam a saúde mental. Para esses idosos, a solidão é mais do que ausência de companhia. É a sensação de não pertencer, de não ser ouvido, de não fazer falta.

Já o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), da Unicamp, publicado em 2023, 16,8% dos idosos relataram solidão frequente, enquanto 31,7% disseram se sentir sozinhos às vezes. O levantamento envolveu 7.957 participantes e apontou que idosos que vivenciam esse sentimento têm até quatro vezes mais chances de desenvolver sintomas depressivos.

A fase da terceira idade é um período em que as pessoas têm muitas perdas, tanto perdas de familiares e amigos quanto as físicas, como perda de massa óssea e de qualidade da saúde em geral, e tudo isso pode trazer problemas de saúde mental. “Sabemos que ter pessoas em volta, amigos, família, melhora muito esses indicadores de bem-estar psicológico, por isso é importante não deixar os idosos sozinhos”, diz Danielle Admoni, psiquiatra geral e psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

A boa notícia é que há caminhos possíveis para reverter esse cenário. Participar de grupos de convivência, atividades culturais ou comunitárias, contar com redes de apoio familiar e social e ter acesso a profissionais que ofereçam escuta ativa são fatores protetores comprovados contra a solidão e a depressão. Para lidar com esse problema multifatorial, são necessárias políticas públicas estruturadas para a formação de mais redes de cuidado e integração social.

“É importante que o idoso tenha uma vida ativa, pratique atividade física, tenha uma boa rotina de sono e alimentação saudável. Mas o principal fator de proteção é a convivência com outras pessoas”, diz Danielle.


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