Projeto oferece serviço gratuito de acolhimento psicológico na pandemia

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Depois de uma pausa, o serviço de acolhimento virtual e gratuito lançado pela consultoria de desenvolvimento humano “Relações Simplificadas” assim que a quarentena foi anunciada, em março do ano passado, foi reativado para toda a população brasileira


Após o sucesso da primeira fase do projeto – foram feitos 4.460 acolhimentos em vídeo, centenas de encaminhamentos, dezenas de reuniões e estudos de casos – os 50 psicanalistas e psicólogos voluntários voltam a atender e estão disponíveis para sessões individuais de acolhimento de 30 minutos (não é terapia online), realizadas por vídeo-chamada que podem ser agendadas gratuitamente pelo site www.experienciadeescuta.com.br

Os efeitos psíquicos podem durar até três anos depois do fim do isolamento, afirma Francisco Nogueira, psicanalista que organizou esse trabalho. O especialista é membro do Instituto Sedes Sapientiae, sócio-fundador da consultoria Relações Simplificadas. “O fato é que ainda não conhecemos os contornos finais do momento que vivemos com a Covid-19. A importância de rituais para elaborar as perdas – como memoriais comunitários (como o WTC nos EUA) – e terapia podem ser muito úteis neste momento”, afirma o psicanalista.

A pauta em favor da saúde mental ganha cada vez mais protagonismo na sociedade brasileira e mundial. Muito se fala em saúde mental – foi tema da redação do Enem deste ano, da campanha Janeiro Branco e top de buscas no Google durante a pandemia. De acordo com Francisco Nogueira, estamos vivendo a verdadeira “Era da Saúde Mental” e da “Cultura PSI”.

RESULTADOS E MAPEAMENTO

Com todo este trabalho mapeado, foi possível classificar o impacto da pandemia em 6 fases psicológicas distintas.

Com as primeiras notícias sobre a pandemia, a Fase 1 dos atendimentos foi marcada por ansiedade e surpresa. O sentimento de impotência e preocupação com o futuro e sustento da família trouxe o agravamento de quadros de transtornos mentais que já eram conhecidos ou que existiam como pano de fundo.

Depois de algumas semanas, veio a sensação de incerteza associada a profunda angústia, o que denominamos Fase 2. A convivência forçada com a família e o prolongamento do isolamento social intensificaram a tensão. Aparecem os primeiros relatos de violência doméstica e casos de pânico. Pessoas que nunca tinham tido contato com psicólogos ou psicanalistas começam a procurar a Experiência de Escuta, tendência que se mantém até agora.

Com a Fase 3 vem a saturação provocando o agravamento dos transtornos mentais, que exigem encaminhamentos a tratamentos de longa duração. A depressão e o sentimento de raiva emergem com força e o pânico é relatado com frequência.

Já no começo do quarto mês de isolamento, na Fase 4, observamos um boom no uso de álcool e drogas e pensamentos suicidas. A desordem psíquica se agrava, assim como os relatos de violência dentro de casa.

Na fase atual, a Fase 5, a evolução psicológica muda de rumo. Vem a descompressão associada à esperança trazida pela flexibilização social e possível descoberta de uma vacina. Mas o medo continua permeando o dia-a-dia com o convívio forçado no transporte público e a convivência nos locais de trabalho.

Nesse ponto é importante dizer que, num cenário em que a volta ao trabalho vem carregada de medo e em que o home office pode se estabelecer de forma definitiva, o mundo corporativo não pode se isentar. Programas de preparo emocional para gestores e colaboradores, novos parâmetros de produção e relações mais humanizadas serão prioritários nesse momento.

Ainda precisaremos lidar com a Fase 6, que envolverá o trabalho sobre o trauma e sobre o luto mal elaborado. Entretanto, o fato é que ainda não conhecemos os contornos finais do momento que vivemos com a Covid-19.

“É incontestável que, a partir de agora, a saúde mental entre no radar como prioridade. E assim deva ser tratada por governos, empresas e sociedade”, afirma o psicanalista Francisco Nogueira.


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