Projeto científico mostra que é possível usar rejeitos de madeira em painéis de decoração

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Pesquisadores desenvolveram um estudo para construir painéis OSB com toras de madeira inutilizadas. Com o estudo, os pesquisadores acreditam que o cenário econômico das serrarias da região Norte pode se transformar


O Brasil gera, anualmente, 800 mil toneladas de rejeitos vindos da produção de madeira na região norte do país. Esses rejeitos são troncos com rachaduras que, como não são usados, são queimados, emitindo gás carbônico na atmosfera e aumentando a poluição.

Então, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), campus da Universidade de São Paulo (SP), desenvolveram um estudo para construir painéis OSB com esses pedaços/lascas de madeira inutilizados. De acordo com um dos autores do trabalho, a madeira já é a matéria-prima de painéis OSB, porém, as toras das madeiras não costumam ser utilizadas neste trabalho.

“O estudo foi pensado a partir do fato de que todo painel OSB do mundo tem como matéria-prima os troncos de árvores de florestas plantadas, em geral de espécies do gênero Pinus, um tipo de pinheiro. O grande volume de rejeitos dessas toras não havia sido, até então, considerado para a produção do material, que agrega valor a um resíduo que usualmente é descartado, além de reduzir drasticamente o impacto ambiental negativo gerado por sua queima indiscriminada, que contribui para o aumento do efeito-estufa,” explica Francisco Antonio Rocco Lahr, professor do Departamento de Engenharia de Estruturas (SET) da EESC.

Para o estudo da Escola de Engenharia de São Carlos, as amostras de madeira foram doadas por serrarias da própria região Norte. Em uma batedeira, as lascas de madeira foram misturadas com uma cola a base de mamona (que funciona como um adesivo natural) e prensado por oito minutos a 100°C. “Os principais testes que nós realizamos foram para determinar as propriedades de resistência, o grau de rigidez e a influência da umidade nos painéis. Nos resultados obtidos, eles tiveram um excelente desempenho, mostrando-se habilitados a serem utilizados em diversas aplicações estruturais, já que atendem aos requisitos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, conclui o docente.

Os painéis, que serão utilizadas para decoração, tem três camadas de madeira, que pode ser de apenas uma espécie ou de várias.  As espécies de madeira estudadas no projeto foram:

  • cambará (Erisma sp.)
  • caixeta (Simarouba sp.)
  • tatajuba (Bagassa guianensis)
  • tauari (Couratari oblongifolia)
  • cedroarana (Cedrelinga catenaeformis).

Com o estudo, os pesquisadores acreditam que o cenário econômico das serrarias da região Norte pode se transformar, já que essas empresas aproveitam apenas 35% da tora da árvore para criar seus produtos. “Além de contribuir com o meio ambiente, melhoraríamos a eficiência produtiva dessas empresas, que é muito baixa, podendo ainda gerar novas oportunidades de emprego e crescimento econômico para a região Norte”, diz a autora principal do trabalho e doutoranda da EESC, a pesquisadora Isabella Imakawa Araújo.


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