Para diminuir espera por doadores, cientistas criam técnica para produzir fígado em laboratório

0
8

Funciona assim: o fígado de um doador falecido passa por um processo de lavagem para que todas as células daquele tecido sejam retiradas. Então, a matriz extracelular é recomposta com células do paciente que receberá o transplante. Todo esse processo evita as reações e também diminui o risco de rejeições


Fígados de ratos foram a prova de conceito utilizada por pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo para desenvolver uma técnica que reconstrói e produz um fígado em laboratório.

“A ideia é produzir fígados humanos em laboratório, em escala, com o intuito de diminuir a espera por doadores compatíveis e os riscos de rejeição do órgão transplantado”, explica o pesquisador Luiz Carlos de Caires Júnior, primeiro autor do estudo.

Esse método se baseia em técnicas de bioengenharia de tecidos, conhecidas como descelularizaçao e recelularização, que foram criadas recentemente para produzir órgãos para transplante.

Funciona assim: o fígado de um doador falecido passa por um processo de lavagem (com enzimas ou detergentes) para que todas as células daquele tecido sejam retiradas. Deve ficar apenas a matriz extracelular, a estrutura e o formato original do órgão. Então, a matriz extracelular é recomposta com células do paciente que receberá o transplante. Todo esse processo evita as reações e também diminui o risco de rejeições.

“É como se o receptor recebesse um fígado recauchutado, que não seria rejeitado porque foi reconstituído usando suas próprias células. Ele não precisaria nem tomar imunossupressores”, explica Mayana Zatz, coordenadora do Genoma USP e coautora do estudo.

As técnicas de descelularizaçao e recelularização também permitem que alguns órgãos sejam reconstituídos, ou seja: órgãos de pacientes que sofreram acidentes de trânsito e não poderiam ser aproveitados podem então ser utilizados em pacientes que estão na fila de espera do transplante.

Como a descelularizaçao remove os principais componentes da matriz extracelular do órgão, os pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP iniciaram uma nova etapa ao processo: injetar uma solução rica em moléculas na matriz extracelular, depois de isolar e descelularizar o órgão.  As proteínas fazem as células hepáticas entenderem que elas precisam se proliferar e criar vasos sanguíneos, o que é essencial para que o fígado funcione corretamente.

“O enriquecimento da matriz extracelular com essas moléculas permite que ela se torne muito mais parecida com a de um fígado saudável”, afirma o primeiro autor do estudo.

Depois, o fígado recebeu hepatócitos, células endoteliais e mesenquimais para que aconteça a reprogramação das células adultas. Uma bomba de seringa também foi utilizada para introduzir células hepáticas na matriz extracelular do fígado dos ratos, o que deu a possibilidade de produzir um órgão com características do humano.

Por cinco semanas o órgão cresceu dentro de uma incubadora. “As células hepáticas crescem e funcionam melhor por meio desse tratamento. Pretendemos, agora, construir um biorreator para fazer a descelularização de um fígado humano e avaliar a possibilidade de produzi-lo em laboratório e em escala”, explica Luiz Carlos de Caires Júnior.


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

- Patrocinado -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.