Moradores da Bela Vista transformam espaço de viaduto em arena de futebol para crianças

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Além de suprir a falta de espaços de lazer, a Escolinha de Futebol Arena Bela Vista é uma opção para famílias que não podem pagar uma escolinha para os filhos, já que muitos moram em pensões e cortiços do centro


27 mil habitantes por quilômetro quadrado. Essa é a realidade da Bela Vista, um dos bairros mais importantes do centro da cidade de São Paulo.

A localização, no entanto, não é sinônimo de privilégios para todos os moradores. Muita gente, principalmente as crianças, sentem falta de espaços de lazer em uma região cercada por prédios e importantes vias de acesso ao centro da cidade.

Pensando nessa deficiência de espaços comunitários que vem desde a infância, em 2017, três amigos criaram uma Escolinha de Futebol que, ao contrário das escolinhas comuns, foi implantada debaixo de um viaduto. “Pensamos: por que a gente não constrói algo para a comunidade? A Bela Vista não tinha nada quando eu era pequeno, nenhum espaço. Se eu quisesse praticar um esporte, eu tinha que ir até o Ibirapuera e minha mãe já ficava de cabelo em pé, porque era longe. Agora é muito gratificante participar de um projeto desse”, reflete Raphael Cassiano, nascido e criado no bairro do Bixiga.

Assim, embaixo do Viaduto Júlio de Mesquita nasceu a Escolinha de Futebol Arena Bela Vista. “Pintamos o chão da quadra, o Uilson (que é ex-atleta e treinador) com alguns contatos trouxe as traves e quem começou a vir mais foram as crianças. Então, fomos aprender a trabalhar com elas”, conta Antônio Carlos Júnior.

Além de suprir a falta de espaços de lazer, a Escolinha de Futebol Arena Bela Vista é uma opção para famílias que não podem pagar uma escolinha para os filhos, já que muitos moram em pensões e cortiços do centro.

Como o local é público, em 2019, a Prefeitura concedeu o espaço para a Arena Bela Vista dando prioridade ao projeto social. Quando não estão em horário de aula, vários grupos jogam futebol na arena.

Com 150 alunos, crianças e adolescentes dos 6 aos 16 anos de idade, hoje o projeto tem mais de 400 crianças cadastradas. “Já tivemos criança moradora de rua no projeto, muitos o pai está preso. No Arena a gente está conseguindo mudar a cabeça dos jovens: a emoção não é correr da polícia, mas atrás de um troféu, um diploma.  A emoção de correr da Polícia não traz benefício, só tristeza dentro de casa. Isso ainda é muito comum aqui”, diz Antônio.

Além do futebol e do incentivo à atividade física, a Arena se dispõe a promover a socialização e cidadania. Durante a pandemia, por exemplo, cerca de 700 cestas básicas foram doadas para as famílias do bairro. E uma livraria do bairro tem ajudado a implementar uma biblioteca para a comunidade.


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