Durante a pandemia, dependentes químicos utilizam a tecnologia para continuar com tratamento

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Por causa do distanciamento social, as reuniões do Alcoólicos Anônimos foram suspensas. Então, participantes começaram a fazer reuniões pelos aplicativos WhatsApp e Anonymo, em busca de acolhimento e apoio para não terem uma recaída


Em 2019, a Organização Mundial da Saúde alertou: quase 3% da população brasileira, acima de 15 anos, é alcoólatra. São mais de quatro milhões de pessoas.

Fato é: o alcoolismo é um vício, portanto, uma doença, que pode afetar tragicamente a vida de muitas pessoas. Não apenas de quem bebe, mas da família também.

Por isso que a comunidade dos Alcoólicos Anônimos é tão importante no processo de recuperação. São encontros de acolhimento e escuta, em que cada dia sem beber são muito celebrados.

No entanto, veio a pandemia da Covid-19. Todos os eventos e reuniões foram canceladas e as pessoas obrigadas a se trancarem em casa. E os alcoólicos anônimos em recuperação? O que fazer para continuar com as reuniões?

A resposta: redes sociais. Principalmente o WhatsApp, a principal rede de conversa da atualidade.

“Conversamos todos os dias por mensagens de texto, áudio e até vídeo chamadas para falar sobre os 12 passos. Passamos a fazer no WhatsApp o que fazíamos nos encontros presenciais. Cada um compartilhava o que quisesse”, explica João Santos, dependente químico há 22 anos e um dos inúmeros participantes do Alcoólicos Anônimos que ficou com medo de ter uma recaída durante a pandemia.

Encontros pela plataforma Zoom, dedicada a reuniões, também aconteceram. Alguns encontros, de quase três horas, já reuniram 100 pessoas.

Os apps ajudaram e muito a vida dessas pessoas porque podem ser utilizados de qualquer lugar e a pessoa pode continuar seus afazeres cotidianos e ainda sim, participar.

Outra plataforma digital muito utilizada é a Anonymo: uma rede social exclusiva para quem luta contra a dependência do álcool, cigarro, drogas, pornografia, comida e jogos.

Disponível em smartphones Android e iOS, o app Anonymo tem 14 reuniões online por dia, 24 horas de chat para conversas em tempo real, acompanhamento das conquistas diárias de cada usuário, além de frases motivacionais.

O app foi lançado há um ano, no início da pandemia. Neste período de isolamento social, os administradores da plataforma viram aumentar muito a utilização: nos primeiros 11 dias, o app foi baixado por 522 pessoas. Em seis meses, o aumento foi de 1.323% com 7.432 downloads. Atualmente, o Anonymo tem 19.761 usuários.

“Eu sabia que falar dos meus problemas com as drogas, todos os dias, assim como acontecem nas reuniões do AA ia me fortalecer e me ajudar a não recair”, disse o fundador do app, também ex-dependente químico.

TRATAMENTO NA REDE PÚBLICA DE SAÚDE

Na capital paulista, os Centros de Apoio Psicossocial (Caps) da Prefeitura disponibilizam atendimento para dependentes químicos. Não é preciso fazer agendamento prévio ou ter encaminhamento.

Segundo a Prefeitura, em casos leves e moderados, o tratamento pode ser iniciado imediatamente no Caps com medicação. Em casos mais graves é feito encaminhamento para a internação num hospital e depois se retoma o acompanhamento multidisciplinar e tratamento na rede Caps.

Para encontrar a unidade mais próxima é só consultar a plataforma Busca Saúde: http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/


SUGESTÕES DE PAUTA: [email protected]

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