Com telas de TVs antigas, cientistas da USP criam novo esmalte para revestir materiais cerâmicos

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O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores de revestimentos cerâmicos e essa alternativa é uma forma de reciclar o lixo eletrônico, já que também utiliza um processo mais barato e que consome menos energia para proteger peças de cerâmica, como azulejos e vasos sanitários


Você ainda tem uma televisão de tubo em casa? Certamente não. Se tiver, deve estar aposentada dentro do quarto da bagunça ou serve apenas de decoração, correto?

A cada dia, as grandes empresas de tecnologia lançam novos modelos de televisores e computadores e as pessoas ficam até perdidas sobre qual modelo satisfaz melhor a personalidade da casa ou as demandas do trabalho.

As pessoas também ficam perdidas, aliás, sem saber o que fazer com os televisores e computadores antigos, que já não funcionam ou que a tecnologia deles já não suporta os meios de transmissão atuais.

Pois saiba que existem locais específicos que realizam o descarte correto desses aparelhos. Até porque, jogar no lixo comum não faz bem para o meio ambiente.

Pensando nesse descarte adequado, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), criaram um novo esmalte para revestir materiais cerâmicos, feito com o vidro das telas de TV de tubo e de monitores de computador. Essa alternativa é uma forma de reciclar o lixo eletrônico e também utiliza um processo mais barato e que consome menos energia para proteger peças de cerâmica, como azulejos e vasos sanitários.

“O esmalte tem funções técnicas e estéticas. Ele impermeabiliza e dá durabilidade à peça. Se a cerâmica não for esmaltada, ela vai sugar qualquer líquido que entre em contato. Além de manchar o produto, é muito anti-higiênico”, explica o professor Eduardo Bellini Ferreira, do Departamento de Engenharia de Materiais (SMM) da EESC e coordenador da pesquisa.

Geralmente, os esmaltes cerâmicos são compostos por pó de argila, pó de caulim e pó de frita. Para substituir 20% do pó de frita, a matéria-prima mais cara na produção do esmalte, os pesquisadores utilizaram o vidro das telas de TV e computador.

Foram testadas diferentes quantidades de vidro reciclado até chegar ao ponto ideal e foram utilizadas ferramentas computacionais para calcular as composições exatas dos produtos.

“O nosso esmalte passou pelo teste de qualidade. Ficou transparente e se fixou sem formar bolhas nas peças. O estudo mostrou que é possível descartar corretamente e reaproveitar os resíduos dos monitores e das TVs antigas na indústria cerâmica”, comemora o professor.

Como o Brasil é um dos maiores produtores e consumidores de revestimentos cerâmicos, o novo esmalte pode ser comercializado para produtores de frita e de esmalte.

O coautor do estudo, o pesquisador Raul Revelo, lembra que as pessoas precisam ter consciência ambiental na hora de comprar um produto. “Não é sustentável comprar, usar e descartar, agravando ainda mais a poluição do meio ambiente. Muitos resíduos podem ser reaproveitados como matéria-prima para diferentes processos produtivos. Queremos promover a economia circular e incentivar o descarte responsável de equipamentos eletroeletrônicos”, afirma.


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