Coletivo cultural transforma carros abandonados em jardins

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O projeto Carro Verde acontece desde 2007 e já fez intervenções em mais de 10 carros abandonados pela cidade. O objetivo é converter os carros em pequenas ilhas verdes espalhadas pela cidade de São Paulo, que tem 10 mil solicitações para remoção de veículos abandonados


De acordo com a Prefeitura, a cidade de São Paulo tem cerca de 10 mil solicitações para remoção de veículos abandonados. Entre janeiro e agosto de 2020, menos de dois veículos foram retirados das ruas, sendo que em 2019, cerca de 2.500 foram retirados.

São veículos que ocupam vagas de estacionamento, foram roubados e abandonados por criminosos ou simplesmente não funcionam mais porque estão velhos.

Já que é responsabilidade do governo municipal retirá-los das ruas, mas muitas vezes isso não acontece, um projeto resolveu dar um jeito na situação: transformar esses carros abandonados em espaços verdes.

“A primeira questão é identificar um carro abandonado. Geralmente eles acabam deteriorando o espaço da rua e, quando a gente percebe que está abandonado tem processos: remover o lixo e os bancos, pra criar espaço dentro do carro; fazemos furos na lataria, pensando na drenagem de água, pra evitar mosquitos. Cada carro é um carro, então a gente entende a geometria do carro e fazemos aberturas, aí fazemos o processo de jardinagem, a gente vai inserindo essas vegetações em diferentes nichos. E no final temos a customização, que é a pintura, um grafismo, pra simbolizar essa escultura urbana”, explica Maurício Brandão, integrante do coletivo artístico BijaRi.

O projeto Carro Verde acontece desde 2007 e já fez intervenções em mais de 10 carros abandonados pela cidade. Mas os carros abandonados não são os únicos alvos do coletivo e também acontece em locais da cidade que não estão sendo utilizados.

“O projeto de intervenção urbana “Carros Verdes” aponta duas questões urbanas que nos inquietam enquanto artistas e habitantes. De um lado a necessidade de se repensar a relação entre a ecologia urbana – os fluxos, recursos, territórios, histórias e ritmos – e as dinâmicas especulativas de nosso desordenado crescimento urbano. De outro, se constitui comentário sobre a forma como a morfologia urbana se configurou a partir do imperativo do transporte exclusivo, individual e poluente cujos efeitos se estenderam para além do desenho e dos equipamentos urbanos e se entranharam na nossa própria cultura. O resultado é a automobilização da própria vida resultando em subjetividades isoladas, alienadas e desenraizadas de seu próprio território”, informa o site do coletivo.


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